Aumenta o número de compras delivery em supermercados do RJ

A pandemia do novo coronavírus afetou os hábitos de consumo de todos os brasileiros. Portanto, não é uma surpresa saber que os cariocas também registraram mudanças significativas no estilo de compras que fazem.
De acordo com uma pesquisa da Associação de Supermercados do Rio de Janeiro (a ASSERJ), o fluxo de consumidores dentro dos mercados cariocas caiu significativamente durante a pandemia. Segundo a pesquisa, pelo menos 11% das pessoas deixaram de ir aos mercados presencialmente para fazer compras. No entanto, isso não significa que o movimento de compras diminuiu. Pelo contrário, essas pessoas saíram das compras presenciais para as compras via delivery.
Segundo a pesquisa, aplicativos como o Rappi Delivery em Rio de Janeiro registraram um aumento considerável de faturamento no setor. De acordo com os dados, depois de crescer 56% em demanda no primeiro mês da quarentena, as compras de supermercado via delivery aumentaram 114% no segundo mês, com o aumento de novos caminhos para os pedidos, como compras via WhatsApp e telefone, além dos tradicionais apps.
Apesar do movimento de compras ter migrado para o delivery, ainda assim houve uma queda no faturamento geral dos mercados. De acordo com a pesquisa da ASSERJ, o mês de abril teve 4% a menos de faturamento do que o mês de março. Uma das razões para isso, de acordo com a pesquisa, é o fato de que quanto mais tempo durar a quarentena, menor será a capacidade financeira das pessoas de fazer compras.
Ao mesmo tempo, outro elemento a se considerar é como o mês de março foi acima da média. De acordo com os dados, março teve um aumento de 21% nas suas vendas. Parte disso foi por causa da Páscoa, claro, mas a preocupação com a pandemia também deve ser mencionada, já que ela ajudou a levar a população a fazer estoques de produtos em casa.
Para ajudar a comprovar isso, os itens de maiores vendas no período foram os produtos de higiene e limpeza, alimentos congelados, cestas básicas, água e suco. Já quem mais cresceu comparado com o período pré-pandemia foram os doces, que tiveram uma alta de 128%.
Segundo a pesquisa realizada, o nível de colaboradores nos mercados cariocas segue em alta. De acordo com os dados, os mais de 200 mil colaboradores que trabalham nas redes de supermercados do estado registraram um pico de 20% de afastamento durante o período, mas o número caiu e se estabilizou nos 12% no auge da pandemia.
Isso não tem só a ver com os casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, mas também um medo de queda de demanda. No entanto, quando ficou óbvio que a demanda iria aumentar, as pessoas voltaram ao emprego e até mesmo o ritmo de contratação subiu. Para se ter uma ideia, em abril os supermercados abriram 2,1 mil vagas de contratação, com 500 delas sendo para apenas uma grande loja.
Um ponto interessante a se notar, entretanto, é a mudança de foco no perfil dos profissionais contratados. Em vez de apenas profissionais operacionais, para setores como a padaria ou açougue, os mercados começaram a contratar também mão de obra mais qualificada para trabalhar com o cenário do e-commerce. Isso significa que programadores, publicitários e outros profissionais do tipo estão com vagas disponíveis nesses mercados para poder executar funções que façam com que os mercados se destaquem nas novas plataformas de vendas.
É importante notar que muitos mercados não tinham o costume de trabalhar com as vendas pelos aplicativos de delivery e, por causa disso, não conseguiram se adaptar adequadamente ao novo cenário.
Afinal, as vendas pelos aplicativos de delivery exigem conhecimento para aparecer com destaque na listagem para o cliente, o que é essencial para conseguir fechar mais negócios.

Por isso, os mercados passaram a dedicar tempo e esforço para entender a lógica dos apps e poder se adaptar a elas, uma vez que não tinham o hábito de pensar neles antes.
Além disso, alguns mercados cogitam inclusive lançar os seus próprios aplicativos. A parte negativa disso é que eles perdem o alcance maior dos apps já desenvolvidos e o uso da mão de obra já estabelecida por eles (os entregadores que já estão contratados).
No entanto, por outro lado, um app próprio garante uma margem de ganho maior do que é faturado no mercado, o que pode ser bem positivo para os mercados, mesmo com os custos extras com servidores, programadores e mais.
É importante ter em mente, por fim, que esse novo hábito de consumo veio para ficar. Não só porque não há prazo para o fim da pandemia do novo coronavírus, mas também porque a compra por delivery é mais cômoda aos clientes.
Sendo assim, um novo futuro se aproxima para os supermercados do Rio de Janeiro e do Brasil inteiro. Resta saber quem estará adaptado para poder aproveitar melhor o momento.




