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“E a vida continua… mas todos os dias parecem ser iguais aos outros”.

Pelo menos era o que Estela acreditava, ao acordar mais um dia. Crise mundial. Ninguém pode, ninguém deve, ninguém vai à lugar nenhum. Liga a televisão, ação rotineira, já não se compadecia com as notícias. Reduziram tudo a estatísticas. Preciso me manter atualizada. Será que devo entender sobre economia? Sobre politica? Para quê? Mais um assunto sobre, como preservar a sua saúde mental no momento de isolamento socal. Irônico. Ao mesmo tempo, nos bombardeiam com tantas informações. Praticar exercícios? Aumentar a imunidade? Fazer home office? Estudar EAD? Aprender um novo idioma? Otimizar melhor o tempo? Ansiava realizar qualquer atividade que tirasse o foco da vida monótona.

Crise existencial. De repente, a vida já não se parecia com ela mesma, o mal-estar parecia lhe ter socado o estômago. De um instante para o outro, sentiu se inquieta com a conformidade que levavam a vida, com a naturalidade com que as pessoas supostamente, se adequavam a tudo, tinham um jeito para tudo, e no final das contas, para nada. Indignou-se. Pensava, estamos presos em nós mesmos, percebia seu olhar refletido, distante, vazio, cansado, seria sua imagem refletida no espelho, ou o mundo refletindo sua alma?

Foi como um choque. De repente, já não olhava somente, para si mesma, agora sentia o mundo. Tomada de consciência. Julgou ser necessário uma ação, mas desconhecia o caminho para percorrer. Decidiu então dar um passo de cada vez, tendo a ciência de que a iniciativa de mudança, começou dentro de seu interior.

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