Turismo comunitário na comunidade de Coroca, no Rio Arapiuns

Uma preguiça dá as caras no meio do almoço farto e todos se levantam para ver. Ali pertinho, uma rede aguarda a hora da siesta em frente a um rio que quase parece mar. É preciso duas horas de barco rio Arapiuns adentro para chegar à pequena vila de Coroca, nas proximidades de Alter do Chão. Quem encara a travessia tem o privilégio de conhecer de perto a vida simples e devagar dos moradores das comunidades ribeirinhas amazônicas. Com 19 famílias e em torno de 75 moradores, o lugarejo existe como comunidade de coroca há cerca de 40 anos. Mas já era habitado há décadas. É o caso de seu Onivaldo, que nasceu ali alguns anos antes do reconhecimento e viu de perto a luta diária pelo progresso do lugar.

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Coroca, comunidade ribeirinha em alter do chão

Coroca tem uma escola primária multisseriada que atende às crianças mais novas. Os mais velhos precisam pegar um barco todos os dias para outras comunidades da região, jornadas que podem durar algumas horas. O transporte fluvial, disponibilizado pelo governo, também leva os moradores para idas necessárias a Alter do Chão. Essas embarcações, mais lentas, fazem o trajeto em quatro horas. Mas o relativo isolamento é o que encanta moradores e visitantes. Ourimar, outro membro da comunidade, garante que não troca a vida ali por nenhuma outra: “Já fui pra outros cantos, mas acabei voltando”, conta.

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Turismo comunitário em Coroca

centro comunitário é uma das primeiras casas no caminho de quem desce das embarcações que chegam de Alter. É ali que as mulheres de Coroca vendem o artesanato feito da palha do tucumãzeiro, uma palmeira nativa da Amazônia. Os produtos, que vão de cestas, fruteiras, bijuterias, bolsas, porta-copos, bandejas e objetos de decoração, são confeccionados com uma técnica conhecida como “Trançado do Arapiuns”, exclusiva da região, e famosa no Brasil e no exterior por sua qualidade e beleza. Os artigos custam em média R$25 e são comprados diretamente com as produtoras, o que garante que a renda vá para o desenvolvimento local, uma vez que essa é uma das principais atividades econômicas do povoado. Além da venda do artesanato, os moradores de Coroca tiram seu sustento da pesca, da apicultura e da meliponicultura e, mais recentemente, do turismo de base comunitária.

Trançado do Arapiuns em Coroca

A chegada a Coroca está prevista para a hora do almoço. O restaurante comunitário serve comida com gostinho de casa: arroz, feijão, macarrão, farofa, frango e peixes típicos da região, além de suco de frutas amazônicas. A refeição custa R$120 para um grupo de quatro.

Depois, é hora de circular pela comunidade para conhecer a criação de abelhas. O mel produzido ali tem fama de ser milagroso e curar gripes e resfriados como que em um passe de mágica. Se você tiver sorte, poderá provar um pouquinho dele extraído direto da colmeia. Ou levar uma garrafinha para casa por apenas R$20.

A trilha, que permite que os visitantes conheçam outras espécies da fauna e flora amazônica, como a seringueira, leva também ao Lago Coroca, onde há a possibilidade de alimentar e ver de pertinho as simpáticas tartarugas da Amazônia. Os animais são criados pelos moradores como mais uma alternativa de geração de renda para a comunidade de forma ecológica e economicamente sustentável. Para subir na jangada que leva até o meio do lago é preciso pagar uma taxa de R$25.

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Como chegar e onde ficar na comunidade de Coroca

Quem deseja conhecer Coroca deve pegar um barco na Atufa (Associação de turismo fluvial) que tem uma base no cais de Alter do Chão. Para isso, é preciso ter um grupo mínimo de quatro pessoas, mas a embarcação suporta até 10 passageiros. Os valores começam em R$200 por pessoa, mas quanto mais gente, mais barato fica. Quem viaja sozinho ou em grupos pequenos pode tentar conhecer outros interessados lá na sede da Atufa. Quem sai de Santarém pode conseguir um barco no Mercadão 2000.O passeio até Coroca dura o dia inteiro e inclui também paradas nas praias fluviais do rio Arapiuns até o pôr do sol. 

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